Quarta-feira, 11 de Abril de 2007

Menção Honrosa

Como alguém lhe chamou, aqui fica a nossa Menção "Cor-de-Rosa"

 

Sentimo-nos: Orgulhosos
Segunda-feira, 5 de Março de 2007

Gratos!

 

             Abcissa H

 

 

 

   A criação deste blog, e a realização de trabalhos de pesquisa ensinou-nos muito. Tornámo-nos capazes de organizar um blog com informação necessária e ilustrativa, com base nas nossas competências de navegação na Internet, pesquisa em livros, dicionários, enciclopédias,... Aprofundámos ainda os nossos conhecimentos culturais, em relação a factos históricos da cidade de Leiria, e sobretudo de Eça de Queirós. Com empenho, fomos ao encontro de várias entidades, que estiveram sempre dispostas a ajudar-nos, com um sorriso amável. 

 

   As nossas ideias multiplicaram-se, a nossa mentalidade cresceu e sentimos que aprender é essencial e existe um mundo inteiro para descobrir, ser revelado e propagado por nós – “homens do futuro”. A qualidade que pretendemos depositar na construção do blog deve-se à nossa união como bons amigos que somos, e sempre com uma faceta de “futuros artistas”, numa mistura de criatividades, procurámos ser originais. Ficámos gratos pelos desafios que nos propuseram, consideramos muito gratificante a participação neste concurso, e estaremos sempre à espera de uma próxima. Atentos à concretização dos objectivos, pudemos igualmente conhecer o verdadeiro significado de Eça de Queirós na literatura portuguesa. Eça é realmente excepcional, com uma maneira de pensar bastante inovadora e empreendedora, o que se reflecte na sua escrita. Ele é simplesmente magnífico!

 

   Após o cumprimento das metas estabelecidas, não podemos deixar de expressar aqui o nosso sincero agradecimento a todas as pessoas que contribuíram para a realização deste trabalho:

 

  • O nosso Eça de Queirós – Miguel Ângelo Alves, 10º H
  • Directora de Turma, Professora de Matemática B – Maria Eduarda Peixoto
  • Professor de Português – Álvaro Mendonça
  • Professor de TIC – Pedro Guerreiro
  • Professora Geometria/História de Artes 11ºano – Susana Sismeiro
  • Professora de Desenho A – Maria Idalina Pina
  • Conselho Executivo da Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo
  • Funcionários da Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo
  • Funcionários da Câmara Municipal de Leiria
  • Funcionários da Biblioteca Municipal Afonso Lopes Vieira
  • Arquitecta responsável pelo Departamento de Planeamento e Urbanismo da Câmara Municipal de Leiria - Arquitecta Vitória
  • Director do Arquivo Distrital de Leiria - Dr. Acácio de Sousa
  • Proprietário da casa onde residiu Eça de Queirós - Dr. Cortez Pinto
  • Turismo de Leiria
  • Todas as outras, cuja identidade desconhecemos
Sentimo-nos: Realizados! Gratos! E felizes!

Quarta semana: Eça em... Sedução Fatal

 

 

 

 

Sentimo-nos: Orgulhosos da nossa produção!
Domingo, 4 de Março de 2007

Queirosidades

 

Um provável filho em Leiria

 

    Contavam que Eça deixou um filho natural de Leiria. Tinham parecenças físicas e espirituais. Alto, esguio, levemente curvo, rosto longo, cabelo castanho, sorriso levemente irónico e ao mesmo tempo melancólico e bondoso, fazendo versos corridos, líricos e humorísticos, com raro brilho e espontaneidade.

 

  

 

Casamento de Eça

 

    Eça sente-se só, e que está na altura de construir uma família. Este procurava uma mulher inteligente, serena, com algum dinheiro, firme, meiga que o tratasse tal e qual uma criança, lhe impusesse regras e trabalho, que fosse doce, o alimentasse etc.

    

   Eis na praia da Granja, em 1884, D. Emília de castro Pamplona, a mulher com as características que Eça procurava.

 

    Em 1886, Eça de Queirós e D. Emília, filha dos condes de Resende, casam-se no oratório da Quinta de Santo Ovídio.

 

 

A morte do ilustre escritor

 

    Eça adoece, foi-lhe diagnosticada tuberculose intestinal, que poderá ter tido origem tropical (amebíase) que o levou a estadas em sanatórios.

 

    Na esperança de se curar, vai para a Suiça com Ramalho Ortigão. A sua dieta passou a ser á base de leite e ovos e a indisposição e inchaço dos pés deixavam Eça desanimado. Assim, o escritor volta para Paris, onde na tarde do dia 16 de Agosto de 1900 começa a piorar. Esta doença apagou a luz de Eça ás 4e30 deste mesmo dia.

 
Sentimo-nos: Detectives!
Sábado, 3 de Março de 2007

A escrita de Eça

 

    O facto de Eça achar que Portugal ocupava o último degrau da civilização, influenciou profundamente os seus romances, tendo mesmo Eça advertido que queria destruir o sistema político instalado, através da sátira.

 

    Na literatura, Eça nasceu como romancista, mas depois da sua viagem ao Oriente começou a ler Flaubert mais cuidadosamente e o seu estilo de escrita foi evoluindo. Começou a notar-se um estilo mais atento ao pormenor, mais coloquial e mais preciso. Tornou-se num Eça mais realista. A ironia, companheira do cepticismo, tornou-se constante em todas as suas obras, até porque só assim evitava que a sensibilidade se degenerasse em sentimentalismo (doença crónica da literatura portuguesa, segundo a sua perspectiva).

 

    Eça de Queirós, considerado um mestre na representação literária de tudo o que nos rodeia, até dos sentimentos, consegue nas suas obras dar-nos sempre a ilusão da realidade, pois sempre teve um peculiar cuidado com a elaboração do pormenor descritivo. 

 

    Nas obras de Eça, agradáveis de ler, este motiva o diálogo, compartimenta e dinamiza a acção, e liga-se à vida das personagens, estabelecendo com estas uma correlação intima com a sua movimentação, projectando-se, muitas vezes, no seu comportamento e estado de espírito.

 

    As personagens de Eça não são complexas, nem heróicas e não orientam o seu destino. Quase todas são seres instintivos, de medida vulgar, determinadas ao acaso, por acontecimentos imprevistos, onde se enredam, experimentando os infortúnios de uma sorte adversa e onde acabam por se perder. Amaro e Amélia são vítimas de uma educação frustrante, de carácteres fracos e de destinos infelizes.   

 

    Eça assumiu claramente um papel interventor na sociedade, porque acreditava que a crítica, a ironia e o humor poderiam ser agentes poderosos da reforma de Portugal. Foi considerado, por muitos, como um humorista e isso mesmo nos diz oliveira Martins ao afirmar que "O Crime do Padre Amaro fora o único romance que Eça trouxera no ventre, e tudo o mais eram trabalhos de humorismo”.

 

   O seu estilo contundente e sóbrio, patente nas suas críticas sociais, é ainda hoje, jornalisticamente, um modelo, independentemente da actualidade da sua visão. As suas criticas à sociedade, podem ser nos dias de hoje publicadas, independentemente da actualidade da visão de Eça.

   

    Eça de Queirós tinha um estilo de escrita inteligente, lúcido e conciso, que conferiu à sua obra um carácter perene e actual, o que faz dele um dos escritores portugueses mais lidos e apreciados.

 

 

                            Eça de Queirós e importantes personagens suas

 

Fontes:

  • MÓNICA, Maria Filomena (2001), Eça de Queirós, Lisboa: Círculo de Leitores.
  • CAMPOS MATOS, A. (1928), Imagens do Portugal Queirosiano, Colecçao Presenças da Imagem, Imprensa Nacional - Casa da Moeda.
  • CAMPOS MATOS, A (1988), Dicionário de Eça de Queiroz: Editorial Caminho, Lisboa.
Sentimo-nos: Escritores de meia leca!
Música: It ends tonight - The All American Rejects
Sexta-feira, 2 de Março de 2007

O Crime do Padre Amaro - Personagens

 

    As personagens deste romance são o produto do ambiente que se vivia em Leiria, presenciado por Eça enquanto cá viveu por alguns meses. Eça de Queirós, considerava que a sociedade leiriense era constituída por padre, beatas e seres não pensantes, e por isso muitas das suas personagens são reais, retratando esse meio.

 

    Segue-se a apresentação, em traços gerais, das principais personagens.

  Padre Amaro, caricatura de Tiago Santos (Abcissa H)

 

     Padre amaro

 

    É a personagem mais inquietante e controversa desta obra, pondo em relevo a questão do celibato dos padres. Órfão desde os 6 anos, Amaro foi criado entre as saias das criadas da marquesa de Alegros, o que explica o seu carácter mulherengo e libidinoso, que o torna revoltado e inconformado com a sua situação eclesiástica, imposta pela marquesa.

 

   Da criança tímida e do mau seminarista, sufocado pela disciplina rígida e pela repressão da sua sexualidade, surge o padre desvirtuado e corrupto. Ajudado pelos colegas que com ele convivem a consumar a sua depravação, é fácil compreender que Amaro, um belo rapagão simpático, se agradasse por Amélia, jovem e bonita, utilizando todas as manhas clericais e explorando o perfil supersticioso da rapariga.

Amaro amaldiçoa a religião que o impede de assumir o filho que desejaria ter, quando Amélia engravida e, desesperado, procura uma solução para evitar o escândalo. Consegue afastar Amélia e prepara o “desaparecimento” do filho, mas depois arrepende-se e chora a morte de ambos: Amélia morre no parto e a criança “desaparece” nas mãos da “tecedeira de anjos”.

 

     Alguns anos depois, em Lisboa, onde tem vivido, recorda o que se passou em Leiria, revelando o muito que sofreu, mas mostra-se conformado porque “tudo passa”.

 

 

    Amélia Caminha

 

   Amélia é uma jovem de 23 anos, alta, muito bem feita, e dona de uns olhos muito negros. Alegre e simpática, sempre viveu rodeada de beatas e padres, o que fazia dela uma pessoa supersticiosa e temente a Deus.

 

    Quando Amaro se hospeda em casa da sua mãe, apaixona-se imediatamente por ele, apesar de manter um noivado, sem grande entusiasmo, com João Eduardo. O padre exerce sobre ela uma acção muito profunda, manobrando-a facilmente e, de pecado em pecado, ela deixa-se embalar na paixão.

 

    Quando engravida, e Amaro consegue que ela se afaste para que ninguém suspeite, Amélia começa a descortinar o mau carácter do padre e, sendo ela uma rapariga ignorante, vazia e sem objectivos, começa a idealizar a maternidade como uma finalidade para a sua existência e sonha com o perdão de João Eduardo que dará um bom marido e um bom pai. Mas não sobrevive ao parto, e a sua morte é assim o castigo e a solução para o seu sacrilégio.

 

 

    S. Joaneira

 

    Assim conhecida por ser natural de S. João de Foz, S. Joaneira é uma mulher roliça, alta, muito branca e com um colo copioso. Trabalha sem descanso, mas está sempre sorridente e atenta aos mais necessitados. Conversadora, mas não maldizente, adora uma boa novidade e os seus amigos, que recebe com prazer, são beatas e padres, além de João Eduardo, o noivo da filha com quem sonha casá-la.

 

     Hospeda em sua casa o padre Amaro, e estima-o como se fosse da família, cuidando carinhosamente das suas roupas e do seu quarto. Com o cónego Dias mantém uma ligação amorosa, embora de forma recatada e discreta

 

 

    Cónego Dias

 

     Foi professor de Amaro no seminário e é ele que o instala em casa de S. Joaneira. É um padre bem disposto, sociável, bondoso, e de bom feitio. Não se preocupa nada com o preconceito e não leva a vida da igreja muito a sério: come e bebe muito bem, joga o loto com as beatas e gosta de dizer galanteios às senhoras, mesmo às mais feias.

 

     Mantém uma ligação amorosa de há muitos anos com a sua “Augustinha”, a S. Joaneira, a quem muito ama, ajudando-a com uma pensão e estimando Amélia como uma filha. Em relação a Amaro, é solidário com ele quando toma conhecimento do seu caso com “Améliazinha”, ouvido os seus desabafos e confortando-o com palavras de esperança. É com ele que Amaro medita sobre o meio de encobrir a gravidez de Amélia e, juntos conseguem solucionar o problema.

 

 

     João Eduardo

 

     Com 26 anos, João Eduardo é alto, com uma pele branca e um pequeno bigode muito negro, trajando de preto. É escrevente na casa do tabelião Nunes Ferral e é muito pouco devoto, considerando os padres e as beatas um perigo para a civilização e para a liberdade. Ama Amélia e anseia por arrancá-la àquele ambiente de beatice e hipocrisia. Por sua vez, Amélia acha-o “um pouco tapado” e as beatas não o vêm com bons olhos.

 

     Muito ciumento, sofre com o desprezo que Amélia lhe dispensa e irrita-se com a proximidade de Amaro e com a familiaridade que lhe dedicam. Vêm-se como rivais e se João Eduardo é inimigo dos padres, Amaro acha-o um idiota e um palerma, não suportando a ideia de que a sua amada case com ele.

Inquieto, João Eduardo publica um artigo bastante contundente, em que o alvo são os padres que frequentam a casa de S. Joaneira. Amélia rompe o noivado e ele tenta em vão reconquistá-la, ao mesmo tempo que sofre represálias e fica desempregado. Porém, o Morgadinho de Poiais, outro anticlerical, contrata-o como professor dos seus dois filhos, proporcionando-lhe bem-estar e vida fácil.

Quando Amélia morre, João Eduardo comparece ao funeral com uma vela na mão, seguindo atrás do caixão. Nunca deixara de a amar.

  

 

Fontes:

  • QUEIRÓS, Eça de, (1993), O Crime do Padre Amaro, Romances Completos de Eça de Queirós, Círculo de Leitores. 

O Crime do Padre Amaro - Resumo

 

    Amaro chega a Leiria nomeado para pároco da freguesia da Sé. Nessa paróquia reencontra o cónego Dias, o seu mestre de Teologia Moral, amante de Augusta Caminha, popularmente conhecida como S. Joaneira, a proprietária da casa onde Amaro fica hospedado. S. Joaneira, tinha uma filha de 23 anos, Amélia, bonita e desejada, que estava noiva de João Eduardo. Mas Amaro apaixona-se por ela e começa a cortejá-la. Este namoro, que se torna pouco discreto obriga Amaro a abandonar a casa da S. Joaneira, e João Eduardo, dominado pelos ciúmes, publica um “Comunicado” num jornal da terra, denunciando o comportamento impróprio do clero. Padres e beatas revoltam-se e impedem os seus projectos de casamento, afastando-o de Amélia. Depois de Amélia e Amaro confessarem os seus sentimentos, os dois amantes continuam a encontrar-se com ajuda de uma criada, além de Amélia aproveitar umas visitas de catequese à filha de um mineiro. Entretanto, o inevitável sucede e os sonhos transformam-se em pesadelos: Amélia fica grávida e os dois amantes ficam prisioneiros do amor e do pecado. Com o desespero, Amaro pensa fugir, ou em casar Amélia com outro homem, mas esta recusa. Finalmente, Amaro lembra-se de que Amélia se podia refugiar em Ricoça, até ao nascimento do rapaz, enquanto os leirienses estivessem na Vieira, durante a estação dos banhos. Assim foi. Entretanto, Amaro chega a rezar para que a mãe e o filho morram, o que acontece. Amaro entrega o filho a uma “tecedeira de anjos”, Carlota, mas quando lho entrega, já com sentimentos de culpa, suplica para que não o mate. Após saber da morte de Amélia, provocada pelo parto, Amaro procura Carlota para recuperar o filho mas esta diz-lhe que é tarde demais. Posteriormente, o padre é transferido para Lisboa e passado pouco tempo, já esquecido, comenta com o cónego Dias que já lá ía o tempo em que não confessava senão mulheres casadas…

                "O Crime do Padre Amaro", caricatura de Tiago Santos (Abcissa H)

 

 

Fontes:

  • QUEIRÓS, Eça de, (1993), O Crime do Padre Amaro, Romances Completos de Eça de Queirós, Círculo de Leitores.
Sentimo-nos: Romancistas!!
Publicado por Abcissa H às 11:23
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O Crime do Padre Amaro - Nascimento da obra

 

    Desconhecem-se as verdadeiras razões que terão levado Eça a escrever “O Crime do Padre Amaro” e, segundo o Dr. Acácio de Sousa “nós estamos a fazer ficção quando procuramos perceber a ficção do Eça (…) Este romance assenta numa critica social, numa critica de costumes que ele queria de facto fazer”.

 

    Existem, no entanto, várias “histórias” relacionadas com a origem d’ “O Crime do Padre Amaro”. O nosso objectivo é expor algumas dessas possíveis explicações para a idealização deste romance 

 

    O cónego Galamba de Oliveira, uma das figuras de proa da igreja local, já falecido, terá confidenciado que este livro nasceu de uma irritação de Eça perante comentários pouco abonatórios do pároco da Sé, o Sr. Vigário, a um poema seu declamado num serão na pensão de D. Isabel Jordão, onde estava instalado. O episódio humilhante e desprestigiante que viveu em Leiria, no Carnaval de 1871, pode também ter sido um dos factos contribuintes para esta obra.

 

    Um texto da origem de Moura Ramos revela que a figura física de Amaro se baseava no então actual padre dos Marrazes, que se envolveu numa polémica por ter recusado a confissão a um doente, informações presentes em documentos confidenciais da época. Nessa altura, terá havido um abaixo-assinado por uma parte da população, que denunciava o mau comportamento desse padre.

 

    De um ponto de vista mais erudito, há quem afirme que Eça se terá inspirado numa obra de Emile Zola, “ La Conquête de Plassans”, em que a história da terrível ambição de Ovide Faujas é a base ideológica d’ ”O crime do Padre Amaro”. 

 

    “O Crime do Padre Amaro” foi publicado pela 1ª vez em folhetins na Revista Ocidental, sob forma de borrão. Eça bastante indignado com a publicação feita na revista, acrescenta e modifica a história, havendo assim uma 2ª versão da obra á qual são acrescentadas 362 páginas. Neste acrescento da obra, Eça foi acusado de plagiador, vendo-se assim necessitado de voltar a modificar a obra, foi então que se viu a 3ª versão e definitiva da obra, em 1880, lida agora por nós como um grande romance.    

 

 

Fontes:

  • QUEIRÓS, Eça de, (1993), O Crime do Padre Amaro, Romances Completos de Eça de Queirós, Círculo de Leitores.

  • LOSADA SOLER, Elena (2000), A edição crítica d' O Crime de Padre Amaro, Jornal de Leiria, 9 de Agosto
Publicado por Abcissa H às 11:06
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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

Com tesouros queirosianos nas mãos!!

 

    Foi no Arquivo Distrital de Leiria, onde o Dr. Acácio de Sousa nos cedeu um bocadinho do seu tempo para nos falar de Eça de Queirós, que tivemos acesso a alguns documentos assinados pelo próprio Eça, aquando da sua passagem por Leiria como Administrador do Concelho.

 

    Pudemos ver ainda livros antigos, esgotados e que não estão no mercado, de autores leirienses que estudaram o Eça, mas que hoje passam despercebidos. 

    Vamos expor aqui algumas imagens desses documentos históricos queirosianos. Esperemos que apreciem!

   

         
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Sentimo-nos: Fascinados!
Publicado por Abcissa H às 20:56
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Terça-feira, 27 de Fevereiro de 2007

Estivemos lá! XD

           

                
 

   “No primeiro andar, duas varandas de ferro, de aspecto antigo, faziam saliência, com os seus arbustos de alecrim, que se arredondavam aos cantos em caixas de madeira; as janelas de cima, pequeninas, eram de peitoril; e a parede, pelas suas irregularidades, fazia lembrar uma lata amolgada.” QUEIRÓS, Eça de, (1993), O Crime do Padre Amaro, Romances Completos de Eça de Queirós, Círculo de Leitores.

 

     Estivemos lá, na casa n.º 13 da Travessa da Tipografia. Da fachada degradada, mas de linhas ainda sóbrias, revela-se um amplo e magnífico espaço, onde tudo tão velho e coberto de pó, respira magia e história. Foi nos aposentos da Travessa da Tipografia que Eça fez nascer a própria Escola Realista do romance português.

 

   Abre-se a porta, e umas escadas simples e elegantes, com uma passadeira repleta de motivos florais, erguem-se diante de nós e levam-nos até ao primeiro andar. Nesse piso, existem quatro divisões contíguas, a sala de estar, o escritório, a sala de jantar e a cozinha, com uma dispensa. Na sala de estar, umas escadas dão-nos acesso ao 2º piso, onde se encontram quatro quartos sendo o mais pequeno o que pertenceu a Eça de Queirós, que se situa logo ao cimo das escadas e com vista para as traseiras. Existe também uma casa de banho e uma passagem para o sótão num outro quarto.

 

   A casa está mobilada, com alguns pertences das últimas pessoas que lá habitaram, e apresenta-se desarrumada e degradada. Não sabemos há quanto tempo foi habitada pela última vez, nem se sabe a certo a data da sua construção. É decerto anterior a 1870, e já foi reconstruída pelo menos uma vez, em 1944, pelo proprietário de então, o Dr. Américo Cortez Pinto, um médico, professor e reconhecido escritor, natural de Leiria, autor de Eça de Queiroz em Leiria – Naturalidade Leiriense do Romancista, 1970. O actual senhorio desta casa é neto deste escritor, e foi quem nos permitiu a visita à casa habitada por Eça, e ainda quem nos cedeu algumas preciosas informações.

 

  

   Requerimento para a reconstrução da casa em 1944     Autorização para a reparação da casa   Projecto de alterações para a reconstrução da casa     

 

 

    Num dos nossos passeios queirosianos pela parte velha de Leiria, descobrimos que a casa em que Eça viveu vai ser recuperada, e o nosso desejo de lá entrar aumentou! Começamos por nos informar melhor na Câmara Municipal de Leiria e fomos encaminhados para o Departamento de Planeamento e Urbanismo. Aí, uma arquitecta responsável deu-nos as informações necessárias: existe realmente um projecto de reconstrução e reabilitação da casa por onde passou Eça de Queirós, bem como dos dois edifícios adjacentes. As negociações começaram em 2001, mas como implicam vários proprietários e herdeiros nunca se chegou a nenhuma decisão definitiva. Há algum tempo atrás as negociações foram retomadas e tudo indica que o projecto seja levado adiante. Soubemos também que um edifício próximo irá ser transformado numa casa de cultura com o nome de Eça de Queirós. Vamos esperar para ver!....

    

 

Possíveis futuras instalações de uma casa de cultura, com o nome de Eça de Queirós

 

  

Fontes:

  • Informações cedidas:
    • pelo proprietário da casa onde Eça viveu, o Dr. Américo Cortez Pinto;
    • por uma das arquitectas responsáveis pelo Departamento de Planeamento e Urbanismo da Câmara Municipal de Leiria, a arquitecta Vitória
    • pelo director do Arquivo Distriral de Leiria, o Dr. Acácio de Sousa
  • CORTEZ PINTO, Américo (1970), Eça de Queiroz em Leiria - Naturalidade Leiriense do Romancista; Páginas da vida do Munícipio leiriense, editado pela Câmara Municipal de Leiria.

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Sentimo-nos: Encantados!!
Música: Anybody seen my baby - Rolling Stones
Publicado por Abcissa H às 20:58
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Domingo, 25 de Fevereiro de 2007

Um dia na vida de Eça de Queirós, em Leiria - Reportagem

 

      Tudo que não se fosse Lisboa, ou tudo o que não pertencesse à capital, Eça considerava provinciano e atrasado. A fim de seguir uma carreira diplomática, foi-lhe atribuído o cargo de Administrador do Concelho de Leiria, com objectivo de cumprir o tempo de serviço administrativo exigido para a sua nomeação ao concurso para Cônsul de 1.ª classe. Leiria era uma cidade pequena, com cerca de 4000 habitantes, e como pouco mais existia para além da Sé e da “Praça”, hoje conhecida como Praça Rodrigues Lobo, a população da cidade do Lis convergia para a Sé, e era aí que os mexericos, bem característicos desta cidade muito beata, começavam a circular. Eça referiu-se aos tempos que cá passou como o seu “exílio administrativo” e caracterizou a população como “gente do tempo dos afonsinos” e sorumbática. Apesar de não ter ficado com as melhores recordações de Leiria, foi aqui que ele se inspirou para escrever “O Crime do Padre Amaro”, uma magnífica obra de critica, onde denuncia os comportamentos anticlericais dos membros da Igreja. Miguel Torga, que por cá passou, escreveu no 1.º volume do seu Diário, em 1939: “À noite (três da manhã) um passeio pelos becos da cidade. A Sé, a botica do Carlos, a rua da Misericórdia, a casa da Sanjoaneira. Grande Eça! Arrancar desta terra um tal romance, parece obra de um deus!” 

 

                                                       Eça de Queirós, caricatura de Tiago Santos (Abcissa H)

 

 

ABCISSA H: DÉBORA LIA, ESTELA GAMEIRO, JOÃO FARIA, TÂNIA FONSECA E TIAGO SANTOS

 

  

    Os primeiros raios de sol já tinham entrado pelo quarto de Eça, quando por volta das 6:30 da manhã despertou. Aprumou-se. Mais uma vez, como todos os dias vestiu-se de escuro, e a elegância, bem como a extravagancia (recordemos as suas duzentas gravatas) estavam sempre bem presentes.

 

    Tomou o pequeno-almoço, preparado pelas duas criadas da pensão de Isabel Jordão, na companhia dos outros hóspedes, um padre, um médico, o deão da Sé, um funcionário público e o proprietário de uma farmácia.

 

     Saiu para a rua estreita, a Travessa da Tipografia, assim chamada por lá ter nascido uma das primeiras tipografias da Europa. Estava um bonito dia, era Verão, ouvia-se o chilrear dos pássaros, que voavam sob um céu límpido e azul. Eça que, segundo a D. Maria das Dores da Silva Prata, adorava animais, brincou ainda um pouco com o cão peludo e acinzentado de Isabel Jordão.

 

    Seguiu pela Rua Direita, actualmente a Rua Barão do Viamonte, em direcção ao largo da Sé. Com sorte, não viu aquele gato preto que o fazia virar as costas e escolher outro acesso ao destino pretendido. Malvada superstição!

 

    Já no largo da Sé, Eça cumprimentava alguns conhecidos e dirigia-se à Administração do Concelho. Era no último andar que funcionavam os serviços dirigidos por Eça. Nesse tempo, um Administrador do Concelho era um representante do Governo Civil, uma espécie de chefe da polícia local que resolvia todas as questões de ordem pública. Existem poucos documentos assinados por Eça de Queirós porque a maior parte do tempo em que desempenhou este cargo administrativo, esteve em Lisboa, tendo sido o seu substituto a assegurar a ordem pública durante esses períodos, explicou-nos o Dr. Acácio de Sousa.

 

    Na Administração, Eça pouco fazia, limitava-se a assinar de cruz. Aproveitava sempre o tempo, o mais que podia, e revia algumas matérias para se preparar para o concurso de cônsul, o Direito Público, o Direito Internacional, o Direito Marítimo, a Economia Política e o Código Comercial. Da janela do seu gabinete, tinha-se vista para o largo da Sé e, já perto do meio-dia, começava a notar-se a agitação normal para a “missa do dia” à qual Eça, normalmente, não faltava, contou a D. Maria das Dores da Silva Prata, o que não deixava de ser estranho, pois Eça era ateu desde os tempos universitários e, na sua viagem ao Oriente, este homem sem fé, ajoelhou-se em lugares santos.

 

    Eça dirigiu-se para a Sé, para assistir à missa e, quando esta acabou, ficou a conversar com o sacristão da Sé, Anastácio, uma pessoa com quem se dava bem, que gostava de ouvir e que lhe contava as intrigas locais. Quando Eça regressou à pensão para almoçar, passava já um pouco da uma da tarde.

 

    Voltou ao trabalho na Administração, até por volta das 15 horas, mas antes passou pela farmácia do José Leonardo Paiva, para “dois dedos de conversa”. Desta vez tinha escolhido a companhia de Júlio Teles para dar o seu passeio pela cidade, ao invés de se fechar no quarto a trabalhar nos seus romances e não aproveitar a claridade do dia. Podiam ir, por exemplo até à ermida da N.ª Sr.ª da Encarnação, até ao castelo, que estava em ruínas, mas nesse dia escolheram arejar os pulmões com o ar do campo para os lados do Marachão (ou a Alameda Velha, como Eça lhe chamava), um lugar recolhido, coberto de árvores antigas.

 

    Por volta das 18 horas, Eça esperava, no Largo do Chafariz, pela diligência que lhe levava e trazia a correspondência de Lisboa. Enquanto aguardava, observava o espaço e a sociedade que o rodeava: velhas que fiavam à porta de casa, crianças sujas que brincavam pelo chão, soldados que namoravam, …,nada mais se via que não a província.

 

    De regresso à pensão, Eça jantava perto das 7 da noite. Os seus serões podiam ser muito variados. Ir até à Assembleia Literária Recreativa, onde hoje está sedeado o Ateneu, era uma possibilidade, mas que, em pouco tempo, se tornou remota. Aí, seduzia, com a sua influência de conversador irónico e brilhante, o escol da sociedade leiriense, enquanto partilhava as experiências vividas na sua viagem ao Oriente. Caso tivesse sido convidado para um serão ou um baile no Palácio do Terreiro, propriedade do Barão do Salgueiro, situado na parte aristocrata da cidade, Eça lá estaria. Caso optasse ficar pela pensão, poderia, consoante a sua paciência e o seu estado de espírito, jogar à bisca e ouvir a guitarra de Júlio Teles juntamente com os outros hóspedes e com Isabel Jordão, ou então preferia recolher ao seu quarto. Ficava a ler jornais, notícias da guerra franco-prussiana, cartas ou livros, e a escrever, pela noite dentro, as suas obras literárias ou a correspondência para os seus amigos, queixando-se do meio social, em que tinha sido deposto; ou entregava-se nas suas amenas cavaqueiras com o seu companheiro habitual, tendo confessado, várias vezes, ser um grande admirador do fadinho e das guitarradas de Júlio Teles e, por vezes, dançava com a sua própria sombra, projectada na parede, ao som de uma batida mais agitada pedida pelo escritor.

 

    Nessa noite de Agosto, Eça invejou Batalha Reis e Antero de Quental, a passarem férias em Santa Cruz: “Que fazem vocês aí no areal batido da fria onda, como diz a balada? Como se suportam? Como se não despedaçaram ainda? Têm-se banhado? Têm escrito? Têm dormido? Têm sequer vivido? Sabem vocês ao menos o que vai por essa escura Europa? Sabem que já não há quase império e quase que não há França? Sabem que a sombra do mais baixo dos soldado prussianos já roça os muros de Paris? (…) Meus amigos, tudo isto são tolices: mas eu estou, desde que começou o meu exílio, tão triste, tão profundamente triste, tão profundamente enfastiado, tão sucumbido, tão cheio de desdém, tão perdido da vida que só o esprit bête me prende a atenção e me move a viver. Imaginem-me aqui nesta terra melancólica, só, sem um livro, sem um dito, sem uma conversa, sem um paradoxo, sem uma teoria, sem um satanismo – estiolado, magro, cercado de regedores, e devorado de candidatos! (…) Há trinta dias que não falo, imaginem vocês. Respondo a esta gente com monossílabos ferozes. Escrevam-me pois daí, se tanto é que ainda sabem escrever” G. de Catilho (org.), Eça de Queirós, Correspondência, op. cit., vol. 1, págs. 50-6.

 

 

Fontes:

  • Informações cedidas pelo director do Arquivo Distriral de Leiria, o Dr. Acácio de Sousa MÓNICA, Maria Filomena (2001), Eça de Queirós, Lisboa: Círculo de Leitores.
  • CORTEZ PINTO, Américo (1970), Eça de Queiroz em Leiria - Naturalidade Leiriense do Romancista; Páginas da vida do Munícipio leiriense, editado pela Câmara Municipal de Leiria.
  • Jornal "República" (1939), Eu conheci o Eça, 24 de Dezembro
Sentimo-nos: Reportéres experientes! =P
Publicado por Abcissa H às 21:37
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Nação Crioula

       

    Após 10 anos da sua publicação, o livro Nação Crioula, do angolano José Eduardo Agualusa, é relançado no Brasil. “O livro pretende ser uma homenagem a Eça de Queirós, que foi quem me conduziu à literatura” afirma José Agualusa. Eça foi a sua primeira paixão literária e o que mais admira  é a ironia feroz, demolidora e terrível com que Eça é capaz de criticar. Foi durante uma viagem ao nordeste brasileiro, que comprou o livro A Correspondência de Fradique Mendes.

  

    A mistura entre personalidades históricas do movimento abolicionista e a história de um amor secreto entre Carlos Fradique Mendes e Ana Olímpia Vaz de Caminha, a escrava que se tornou numa das mulheres mais influentes e ricas de Angola no século XIX, é o assunto generalizado de Nação Crioula.

 

Nação Crioula de José Eduardo Crioula
 
 

Fontes:

Publicado por Abcissa H às 20:48
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Hora AGÁ!

 

   Na temática das obras de Eça de Queirós regista-se a severa abordagem ao culto das aparências e ao estado geral da nação, mostrando-se este pouco tolerante ao ridículo e à fraqueza dos portugueses. Acreditava ser possível mudar o país através da denúncia dos pecados, mas ao deparar-se com um país abissalmente ignorante, em vez da pátria culta com que sonhava, recusou-se a ser cúmplice da indiferença universal em que se vivia. Transportando Eça para os nossos dias, o clã Abcissa H tentou imaginar que postura adoptaria ele perante a actualidade do nosso país, opiniões que ele expressaria ao ser entrevistado num importante meio de comunicação social, pela mão de um conceituado jornalista, Tiago Sousa (T. S.).

 

 

"Hora AGÁ - Entrevista a Eça de Queirós"

 

 

T. S. – (com ar muito sério) Tivemos algumas dificuldades em contactá-lo pois é um dos maiores vultos da literatura portuguesa, sendo bastante solicitado. É o escritor português mais lido e traduzido e hoje, um século após a sua morte, a sua imensa obra continua viva e actual. Criou a sua própria ideologia e o seu próprio estilo, combinou o romantismo e o realismo, a vernaculidade e o pitoresco, recorrendo ao neologismo, ao estrangeirismo e à adjectivação.

            Bem-vindos à “Hora Agá”, a nossa rubrica semanal de informação. Esperamos, senhores telespectadores, que esta entrevista inédita seja do vosso inteiro agrado. Convosco, o senhor José Maria Eça de Queirós!  

 

            (É transmitida uma pequena reportagem de rua, em que se questionam diversas pessoas sobre o conhecimento que têm das obras de Eça).

 

T. S. – Sempre teve uma opinião muito crítica em relação ao estado do nosso país! Não acha que o passar do tempo mudou muitas coisas?

 

E. Q. – (pigarreando) Nem pensar! Há muito que o país perdeu a inteligência e a consciência moral! Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática de vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido! Ninguém se respeita… Não há nenhuma solidariedade entre cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos - (inspira profundamente) -  A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo esta na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta a cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo… (1)

 

T. S. – Quando diz que o povo está na miséria, não acha essa observação exagerada?

 

E. Q. (abana ligeiramente a cabeça, discordando da pergunta) – A ruína económica cresce, cresce, cresce… As falências sucedem-se, o pequeno comércio definha, a indústria enfraquece… A sorte dos operários é lamentável. O salário diminuiu. A renda também diminuiu. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo!!! (1)

 

T. S. - Ao regressar da sua última viagem por outras terras da Europa, referiu que todos os estrangeiros notam que somos o país dos tristes. O que queria dizer ao fazer essa afirmação?

 

E. Q. - Somos o país dos mandriões e dos ignorantes: a mandriice é a mãe do tédio; em século tão instruído como o actual a ignorância não pode deixar de produzir uma tristeza desconsolada, abatida e profunda. Sim (assentindo convictamente com a cabeça), queridos compatriotas, consócios e amigos! Desenganemo-nos bem disto: ninguém na Europa sabe menos, ninguém trabalha menos do que nós na Europa!

 

T. S. (franzindo o sobrolho) – Acha então que somos um país de ignorantes?

 

E. Q. - A ignorância pesa sobre o povo como uma fatalidade… (1) - (ajeita a luneta) – Na ciência, na literatura e na arte estamos estacados, imitando servilmente as obras de nossos pais, atestando a ignorância mais flagrante, esterilizados nas nossas faculdades inventivas, narcotizados pelo tabaco de que abusamos como nenhum outro país da Europa, sem uma ideia elevada, sem um pensamento generoso, sem uma voz, sem um grito, sem um gesto que penetre, esclareça e vibre este nosso mundo devasso e tonto!... (3) -(exibe um olhar desconsolado).

 

T. S. – O senhor Eça diz que a literatura, área que conhece bem, não compreendia o seu tempo, nem ninguém a compreendia a ela. Pode explicar-nos melhor a sua ideia?

 

E. Q. – A literatura, poesia e romance, espreguiçava-se devagar, sem ideia, sem originalidade, bocejando, cheia de esterilidade, conservando o hábito antigo de ser vaidosa, e costumando-se sem grande repugnância à sua nova missão de ser inútil. Convencional, hipócrita, falsíssima, não exprimia nada!! Nem a tendência colectiva da sociedade em que vivia, nem o temperamento individual do escritor. Tudo em torno dela se transformou, só ela ficou imóvel. De modo que, pasmada, absorta, nem ela compreendia o seu tempo, nem ninguém a compreendia a ela! (1)

 

T. S. – Como um dos elementos da Geração de 70, contestou o idealismo e autores tão importantes como Júlio Dinis. Para si, essas obras não passavam de telas mitológicas e enfáticas?

 

E. Q. - Esses autores copiavam finamente, com um cuidado de miniaturista, as suas figuras ternas ou joviais, e os planos esbatidos das suas paisagens – (ajeitando-se na cadeira) - O seu espírito porém nunca se desprendeu de uma certa contemplação sentimental, idealista: não se atreviam a pôr, nas páginas gentis, os severos, os crus aspectos da realidade; de modo que, copiavam de longe, com receio, retocando os contornos duros, dando o pálido desbotado do sentimento sobre as cores fortes e salientes. (4)

 

T. S. - Também na área da política, o senhor referiu que se tratava de uma “ostreira de tratantes”. Acha que o mesmo se passa hoje?

 

E. Q. - Claro que sim! – (com uma expressão severa) -  O homem político, simples influente eleitoral, mero candidato a deputado, lisonjeia, mente, difama, atraiçoa!!… Na política portuguesa raros dão um passo que o não conquistem por algum desses vícios. Toda a gente sabe. As eleições fazem-se pela compra da consciência a dinheiro, ou pela promessa, pela lisonja, pelo dolo, pela mentira. Não há integridade nem limpeza de carácter que resista à influência degradante e sordidíssima de uma campanha eleitoral…Vejam – (cofiando o bigode) - nenhum partido se distingue dos outros pelas ideias que professa. As ideias são sempre as mesmas, poucas, pequenas mas idênticas!... O que estabelece as distinções, o que assinala as diferenças, o que suscita os combates, e o que resolve a vitoria é a intriga… (5)

 

T. S. – E quanto à educação religiosa que se pratica no nosso país, concorda com ela?

 

E. Q. - Não, de maneira nenhuma! A educação religiosa faz-se assim: os garotos aprendem a persignar-se, a ajoelhar-se com gravidade e a recitar o padre-nosso. Depois seguidamente, mistério a mistério, todas as orações da cartilha. Esta doutrina, dizem-na de cor como a tabuada ou como as capitais da Europa, sem ideia, sem fé, sem compreensão, com um certo terror, porque lhe ensinam que Deus dá as trovoadas, as doenças, a morte e os castigos atrasados!!… - (com um ar indignado) - O que se lhes ensina no catecismo?!… Uma série de fórmulas e de palavras, cujo sentido lhes é estranho, como uma língua ignorada!… Aprendem-na maquinalmente como uma lição que recitam a certas horas, depressa ou devagar, como uma obrigação, como quem se penteia ou trata das unhas. (6) 

 

T. S. – E da juventude, o que pensa?

 

E. Q. – Ah! A juventude… - (pensativo) - Os jovens, maioritariamente da cidade, vivem hoje sem horizontes, sem árvores, sem natureza!!... Como não podem desenvolver a força muscular, desenvolvem a acção nervosa. São extremamente precoces, de uma compreensão fulminante, sensíveis, cheios de pequenas vontades, astuciosos, eléctricos. Com o passar da idade, como foram vivos e rápidos na infância, tornam-se tardios e moles! (6)

 

T. S. – Desde já agradecemos a sua colaboração nesta entrevista – (com um ar fascinado) - Para terminarmos, que conselhos daria aos jovens para que construíssem uma nova sociedade?

 

E. Q. (esboça um sorriso tímido) - Pensem nestas conversas sinceras. Acostumem-se ao trabalho e à dignidade. Estudem! Eduquem o vosso espírito. Nunca caluniem, nunca mintam! Tomem banhos frios para enrijar o corpo, e leiam Proudhon para enrijar a alma. Escrevam um livro, um trabalho, uma ideia. (4) Viajem muito, se puderem! Inspirem-se nos países mais evoluídos que o nosso, troquem experiências… Mas, sobretudo, tenham espírito crítico e não se acomodem! …

 

T. S. – Senhores telespectadores, as respostas que ouvimos não constituem, certamente, novidade visto que, apesar de se mudarem os tempos e as vontades, o país continua o mesmo e as observações do nosso convidado mantém a sua pertinência!... Muito boa noite e até para a semana!

 
 
Fontes:
  •  As respostas da nossa entrevista foram adaptadas do livro: QUEIRÓS, Eça de; ORTIGÃO, Ramalho; As Farpas – Crónica mensal das letras, da politica e dos costumes; Editora: PRINCIPIA, Publicações Universitárias e Científicas, 2004.
(1) As Farpas, Maio de 1871.
(2) As Farpas, Julho 1871
(3) As Farpas, Outubro 1871
(4) As Farpas, Setembro 1871
(5) As Farpas, Agosto 1871
(6) As Farpas, Março de 1872
Sentimo-nos: ignorantes!
Publicado por Abcissa H às 20:04
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Sábado, 24 de Fevereiro de 2007

Os mais recentes tesourinhos de Eça de Queirós

      

   “Bibliografia Queirociana”, de Ernesto Guerra Da Cal, foi a obra que revelou a existência de três manuscritos originais de Eça de Queirós, A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras, incompletos, e ainda um ensaio integral intitulado Novos Factores da Política Portuguesa. Estes manuscritos tinham sido vendidos as Banco Pinto de Magalhães, há 30 anos, por Maria Angélica de Magalhães Vaz Pinto e, mais tarde, foram transferidos para o Banco Mello, num quadro de privatizações. A partir daí, não se estabeleceu mais nenhum contacto com eles.

 

Manuscritos de Eça de Queirós; imaqem publicada no Expresso – Actual nº1790, 17 de Fevereiro 2007.

   Foi então, que em finais de Novembro de 2006, no Millenium BCP da baixa Lisboeta, foi encontrado, num cofre, o “Inventário de Obras de Arte do Banco”, pertencente à antiga União de Bancos Portugueses (UBP), bem guardado após a nacionalização da Banca em Portugal, com o 25 de Abril. E lá estavam então, no meio da papelada, os três manuscritos queirosianos. “Debuxados” era a palavra correcta para caracterizar aqueles manuscritos, como podemos ver na imagem: parágrafos e palavras mais que riscados, e trancados com “X”. Estes documentos irão estar numa exposição, “Aquisições Queirosianas”, prevista para o período de 9 de Maio a 20 de Julho próximos, na Biblioteca Nacional; estes ficaram também disponóveis  na Internet.

  

   Carlos Reis, conhecido queirosiano, coordenador da Edição Crítica das Obras de Eça, afirma que o caso de Eça é muito particular porque ele escreveu muito em vida e publicou pouco, e que isso se devia ao facto de, nos últimos anos da sua existência, Eça ter trabalhado bastante para a imprensa. Consequentemente, A Ilustre Casa de Ramires e A Cidade e as Serras, obras que depois da morte de Eça foram revistas por Ramalho Ortigão e Luís Magalhães antes de serem publicadas, sofreram alterações em parte do seu conteúdo original.

 

Fontes: 

  • ALEXANDRA, Nair (2007), “Os manuscritos reencontrados de Eça. Expresso – Actual nº1790, 17, Fevereiro 2007
Sentimo-nos: exploradores de tesourinhos!
Publicado por Abcissa H às 18:19
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Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2007

Eça, fonte de inspiração para cineastas!

 
    O filme O Crime do Padre Amaro, realizado por Carlos Coelho da Silva, supostamente baseado na homónima obra de Eça de Queirós, tem muito pouco em comum com a obra em que se baseia. Uma das semelhanças começa por ser o nome, o que é um engano, porque uma obra considerada por Camilo Castelo Branco “uma obra-prima que há-de resistir como um bronze a todas as evoluções destruidoras das escolas e da moda” é “transposta” para um filme onde quase não há argumento e as cenas parecem não ter contiguidade umas com as outras!

 

   Nesta obra, Eça põe em questão o problema social do celibato dos padres. No filme, se bem que esse possa ser igualmente um dos propósitos do argumentista, a sensualidade e erotismo prevaleceram como factores de atracção para um público pouco exigente. Note-se que esse objectivo foi atingido, tendo sido o filme um dos mais vistos em Portugal desde sempre!

 

O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós, adaptado para cinema
 
 Soraia Chaves no papel de Amélia Caminha e Jorge Corrula como Padre Amaro Vieira,
num filme de Carlos Coelho da Silva, Outubro de 2005

 

  

    Antes de ser criado em Portugal o filme d'O Crime do Padre Amaro , no ano de 2002, um realizador mexicano, Carlos Carrera, já havia produzido um filme que se baseava no livro do autor português. Este filme, que não é propriamente uma obra de arte, teve o mérito de adaptar o romance de Eça à realidade vivida actualmente no México, abordando outras questões como por exemplo a do narcotráfico, tão presente neste país. Na criaçao de Carlos Carrera, a sensualidade de Amélia aparece mais marcada no filme, como aconteceu em Portugal, e Amaro é visto numa perspectiva mais humana e menos calculista.

 

 

Fontes:

Sentimo-nos: desapontados...
Publicado por Abcissa H às 18:24
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2007

"Eça em Caricatura"

 

    A propósito desta época carnavalesca anunciamos que, até 31 de Março, está a decorrer, no Museu da Imprensa, no Porto, uma exposição de caricaturas de Eça de Queirós.

 

    É constituída por cerca de 100 caricaturas, feitas por vários autores portugueses e brasileiros, entre as quais, podem ser vistas quatro originais de Vasco, cartoonista que colabora regularmente com o jornal “Público”. Rafael Bordalo Pinheiro, Manuel Monterroso, Sebastião Sanhudo, Leal da Câmara, João Abel Manta, Stuart Carvalhais e Francisco Valença também têm obras suas presentes na mostra. Entre as caricaturas vindas do Brasil destacam-se as de Alberto Lima, Armando Pacheco, Alfredo Cândido e Mendez, entre outros.

 

    Nesta mostra podem igualmente encontrar-se 5 desenhos originais feitos por Eça de Queirós e ainda um busto esculpido por Rafael Bordalo Pinheiro, em 1901. 

 

    “Eça em caricatura” é uma exposição inédita em Portugal, e revela os mais diversos olhares satíricos dos cartunistas sobre Eça de Queirós e as personagens do escritor.

      

    A não perder! Todos os dias entre as 15h e as 20h.

 

 

                                                      "Eça em caricatura" 

 

Anúncio da exposição

"Eça em Caricatura"

  

                                                    

   Caricaturas de Eça de Queirós

 

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Fontes:

 

Sentimo-nos: CaRtoONistAs!

Um carnaval à moda de Eça!

 
   Eça considerava a sua passagem por Leiria o seu exílio administrativo, como referiu na carta escrita a Eduardo Coelho em Agosto de 1870, apenas alguns dias após a sua chegada à cidade.
 
   Embora Eça vivesse isolado entre a sua escrivaninha e o gabinete da Administração, não deixou de frequentar a aristocracia leiriense: participavam em convívios, em bailes e em caçadas aos coelhos com as nobres famílias locais.

 

    Foi há 136 anos, no Carnaval de 1871, num baile de máscaras que Eça de Queirós foi apanhado numa trama amorosa! O romancista envolveu-se com uma bela fidalga, da fina roda leiriense, e não tardou que a alta sociedade de Leiria se apercebesse do facto. Tanto quanto se sabe, pensa-se que esta tenha sido a sua primeira relação com uma mulher casada.     

 

    Terá sido na noite de 21 de Fevereiro, que o Barão do Salgueiro organizou um baile de Carnaval em sua casa, no Palácio do Terreiro e ao qual Eça compareceu, despudoradamente, vestido de Cupido, com um fato de malha muito justo, com aljavas cheias de setas e com asas de cambraia. Depois de ter dançado uma quadrilha com a baronesa de Salgeiros, ousou perseguí-la para fora dos salões entrando numa das divisões íntimas da residência. O par foi encontrado abraçado pelo cocheiro da casa e Eça acabou a ser lançado, violentamente, para fora de casa, pela escadaria abaixo. Quando chegou a casa, a coxear e com o fato todo esfarrapado disse ao seu amigo Júlio Teles: “Consummatum est – olha sou um Cupido desasado!”.

 

    Este episódio ao qual Eça não achou graça, ficou-lhe atravessado nas suas memórias de Leiria, tendo mesmo comentado ironicamente: “O que chocou aquela boa gente do tempo de D. Dinis, não foram os excessos da autoridade administrativa… foi o trajo de tirôles! Se me encontrassem aos abraços à Senhora, vestido de Cónego da Sé, todos teriam achado muita graça!”.

 

    Este acontecimento está retratado na sua obra Os Maias, onde João de Ega aparece desasado devido à grande toza semelhante àquela em que o escritor apanhara em virtude de uns amores adúlteros com a Gouvarinho.

                                                Caricatura de Eça de Queirós no Carnaval de 1871. Autor: Tiago Santos (Abcissa H)

                                     

 

Caricatura de Eça de Queirós no Carnaval de 1871. Autor: Tiago Santos (Abcissa H)

 

 

Divirtam-se à b'Eça!!

   

Fontes:

  • CORTEZ PINTO, Américo (1970), Eça de Queiroz em Leiria - Naturalidade Leiriense do Romancista; Páginas da vida do Munícipio leiriense, editado pela Câmara Municipal de Leiria.
  • MÓNICA, Maria Filomena (2001), Eça de Queirós, Lisboa: Círculo de Leitores.
Sentimo-nos: Foliões!
Publicado por Abcissa H às 14:03
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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2007

Entrevista a Eça de Queirós - perguntas

  

Aqui ficam as questoes as quais Eça de Queirós nos irá brevemente responder ;)

 

  • Sempre teve uma opinião muito crítica em relação ao estado do nosso país"Eça de Queirós!" caricatura da autoria de Tiago Santos (Abcissa H) ! Não acha que o passar do tempo mudou muitas coisas?

  • Quando diz que o povo está na miséria, não acha essa observação exagerada?

  • Ao regressar da sua última viagem por outras terras da Europa referiu que todos os estrangeiros notam que somos o país dos tristes. O que queria dizer?
  • Acha então que somos um país de ignorantes?
  • O Eça diz que a literatura, área que conhece bem, não compreendia o seu tempo, nem ninguém a compreendia a ela. Pode explicar-nos melhor a sua ideia?
  • Como um dos elementos da Geração de 70, contestou o idealismo e autores tão importantes como o Júlio Dinis. Para si, essas obras não passavam de telas mitológicas e enfáticas?

  • Também na área da política, o senhor referiu que se tratava de uma “ostreira de tratantes”. Acha que o mesmo se passa hoje?

  • E quanto à educação religiosa que se pratica no nosso país, concorda com ela?

  • E da juventude, o que pensa?

  • Que conselhos daria aos jovens para que construíssem uma nova sociedade? 

 

 

Até lá, fiquem connosco!

 

Eça de Queirós! caricatura da autoria de Tiago Santos (Abcissa H)

Sentimo-nos: JOrnalIsTAs!
Publicado por Abcissa H às 23:02
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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

Dia de S. Valentim

   Será que no tempo do "nosso" autor se comemorava o Dia de S. Valentim??

 

   É provável que sim, pois a tradição do Dia de S. Valentim, mais conhecido nos dias de hoje como Dia dos Namorados, teve origem no dia 14 de Fevereiro do ano de 270 d.C.. A troca de presentes própria deste dia iniciou-se por volta de 1840, e a partir dessa data começaram a partilhar-se mais prendas do que sentimentos...

  

   A propósito do dia que se comemora, vamos recordar o modo de estar de Eça de Queirós perante o sexo feminino. Ramalho Ortigão, o seu maior amigo, considerava-o um grande conquistador, não obstante Eça pensar que os conhecimentos indispensáveis à mulher se deviam limitar à limpeza da casa e à orientação da cozinha, e segundo estes autores “o aperfeiçoamento intelectual das mulheres (…) era incompatível com a perfeita direcção do ménage” (Farpas, 163).

 

   Eça de Queirós era elegante, vaidoso e extravagante. Encantava com a sua palavra, tinha um discurso mágico, fácil e interessante! E sabia sorrir assim como sabia seduzir! Arrasou corações por todos os sítios onde passou. Em Cuba, dizem que terá namorado ao mesmo tempo com duas americanas que não lhe resistiram aos encantos. Ana Conover, que atravessava uma crise conjugal quando por ele se apaixonou, dirigiu-lhe o seguinte numa carta: “Pensa em mim? Como eu penso todo o dia e toda a noite em si meu querido. I slumber to dream of thee; wake bur to weep, I never forgot thee ever in sleep. (…) é verdade que me amou um pouquinho? E ainda ama?” (Carta de Ana Conover, a Eça de Queirós, quando se encontrava no Canadá e era cônsul de Portugal em Cuba, em 18 de Junho de 1873).

 

   Muito activo com o sexo feminino, segundo Ramalho Ortigão, em Leiria, pelo que sabemos, Eça ter-se-á envolvido com três mulheres, todas elas de grande beleza. Um caso já é conhecido, o envolvimento com a baronesa de Salgueiros, descobertos no baile de Carnaval de 1871, em casa da própria baronesa. Para além do sucedido no Carnaval desse ano, outra história picante marca as suas paixões da juventude na sua passagem por Leiria. Foi durante uma peça de teatro, que decorria na velha igreja românica de S. Pedro, que a bonita viúva, airosa e simpática, de 30 e poucos anos, não conseguiu ocultar o seu amor criminoso, que a desorientava e que poderia ter tido um desenlace lamentável. No decorrer da peça, as atitudes, os olhares e as mãos do “casal” tornaram-se indecentes, tanto que o Engenheiro Wadington, um amigo de Eça que os observava, fez um comentário um pouco acriançado e a partir desse momento os dois amantes compuseram-se! O terceiro caso que se conhece é o romance de Eça com uma vendedora de cereais no mercado da Praça Rodrigues Lobo, natural de Reixida, na freguesia das Cortes. Era uma bela mocinha que dava pelo nome de Maria José, tinha um rosto bonito, de aparência suave, meiga e atraente. Galantíssima, sempre bem vestida à moda de Leiria, dona de uns belíssimos olhos pretos, cabelos castanhos-claros ondulados, e seio opulento e tremente, despertava a atenção de quantos a viam. A rapariga, que se apaixonou por Eça, ficou muito desgostosa com a partida deste para Lisboa, onde iria participar no concurso para o lugar de 1º cônsul. Júlio Teles, o seu companheiro das “grandessíssimas tramóias literárias”, tido localmente como o maior génio musical do século, e retratado na obra O Crime do Padre Amaro como Artur Couceiro, afirmou que após a partida de Eça, poucas foram as vezes que se voltou a ver a rapariga por Leiria.

 

   Pode concluir-se então, que Eça de Queirós, realmente tinha charme e sabia conquistar o coração de qualquer mulher!

  

 

Amor n'O Crime

 

   Quanto à nossa obra, o amor é um tema dominante e como gos tamos de partilhar as emo"Amélia Caminha", caricatura de Tiago Santos (Abcissa H), adaptada do desenho de João Abel da Mantações que a leitura nos transmite deixamos aqui em excerto da obra.

 

   “Amaro saía sempre da casa da S. Joaneira mais apaixonado por Amélia. La pela rua devagar, ruminando com o gozo a sensação deliciosa que lhe dava aquele amor – uns certos olhares dela, o arfar desejoso do seu peito, os contactos lascivos dos joelhos e das mãos. Em casa despia-se depressa, porque gostava de pensar nela, às escuras atabafado nos cobertores; e ia percorrendo em imaginação, uma a uma, as provas sucessivas que ela lhe dera do seu amor, como quem vai aspirando uma e outra flor, até que ficava como embriagado de orgulho: era a rapariga mais bonita da cidade! E escolhera-o a ele, a ele padre, o terno excluído dos sonhos femininos, o ser melancólico e neutro que ronda como um ser suspeito à beira do sentimento! À sua paixão misturava-se então um reconhecimento por ela; e com as pálpebras murmurava:

- Tão boa, coitadinha, tão boa!”

 

 

Feliz Dia dos Namorados!  

 

 

Fontes:

  • CORTEZ PINTO, Américo (1970), Eça de Queiroz em Leiria - Naturalidade Leiriense do Romancista; Páginas da vida do Munícipio leiriense, editado pela Câmara Municipal de Leiria.

  • MÓNICA, Maria Filomena (2001), Eça de Queirós, Lisboa: Círculo de Leitores.

  • SOUSA E COSTA, Júlio de (1953), Eça de Queirós (Memórias da sua estada em Leiria) 1870-1871, Lisboa: Depositária Livraria Sá da Costa. 

  •  SILVA LOPES, Maria Helena;  CRAVEIRO REIS, Maria Vera; HENRIQUES,  Rogério. Hora'Eça. Acedido em 19, Fevereiro, 2007. Escola Secundária de Alvide: http://www.esalvide.edu.pt/Recursos/Eca/index.htm

  • COOK, Carla. Uma perspectiva tradicional da mulher num homem moderno: Eça de Queirós. Acedido em: 13, Fevereiro, 2007. Adiaspora.com: http://www.adiaspora.com/_port/educa/trabalho/carlacook.htm

Sentimo-nos: Perdidamente Apaixonados
Publicado por Abcissa H às 12:07
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Segunda-feira, 12 de Fevereiro de 2007

Eça biogáfico

 

    José Maria Eça de Queirós, notável escritor, nasceu no dia 25 de Novembro, quando decorria o ano de 1845. Póvoa do Varzim foi o berço daquele que, mais tarde, viria a ser um dos maiores romancistas portugueses.

 

    Segundo o assento baptismal, viera ao mundo em circunstâncias morais irregulares, constando ser filho do magistrado José Maria de Almeida de Teixeira de Queirós e de mãe incógnita, D. Carolina Augusta Pereira de Eça. Não obstante, a legitimação dos pais acontece em 1885.

           

    Após o seu nascimento, é Vila do Conde que o recebe, estando aos cuidados da sua madrinha e, mais tarde, Verdemilho (Aveiro), entregue aos seus avós paternos. Devido à morte destes, conhece, finalmente, o aconchego dos seus progenitores com 10 anos de idade na cidade do Porto, onde inicia os estudos secundários no Colégio da Lapa.

           

    Chega o ano de 1861 e também a sua matrícula na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Aqui, não foi indiferente à realidade social, política e cultural portuguesa. Conhecedor dos novos ventos que pairavam na Europa, informado das novas teorias filosóficas, como o Idealismo de Hegel, o socialismo de Proudhon, o positivismo de Comte e o evolucionismo de Darwin e Lamarck, Eça determinado, destemido e irrequieto, fazendo parte da “Geração de 70”, abraça a causa da renovação da mentalidade literária, contrastante com o sentimentalismo doentio romântico, e tem participação activa na luta cultural, denominada por “Questão Coimbrã”, na tentativa de implementar os valores realistas na arte literária portuguesa.

           

    Concluída a sua formatura em 1866, fixa-se em Lisboa em casa de seus pais. A advocacia e o jornalismo ocupam-lhe o tempo.

           

    Graças ao seu espírito empreendedor, partiu numa viagem para o Médio Oriente, visitando o Egipto, a Síria e a Palestina. Esta viagem, apura a sua imaginação, fá-lo detentor de uma realidade oriental e espraia-se na sua obra literária.

           

    A vida diplomática esperava-o. Em Leiria, foi nomeado administrador do Concelho e em Leiria nasce o romancista Eça de Queirós, arquitectando O Crime do Padre Amaro.

    Participou na 4ª sessão, de cinco, das “Conferências Democráticas do Casino de Lisbonense”, a 12 de Julho de 1871, onde durante duas horas discursa sobre “O Realismo como nova expressão de Arte” e salienta que “o realismo deve ser o ideal moderno que rege as sociedades, isto é, a justiça e a verdade”.

           

    Em 1873, inicia uma viagem diplomática pelo mundo. Colocado no consulado português de Havana, em Cuba, transfere-se para Inglaterra, onde começa a escrever O Primo Basílio, e a pensar n’Os Maias, n’O Mandarim, n’A Relíquia. Mais tarde parte para França. De Inglaterra e de França, enviava muita correspondência para os jornais de Portugal e Brasil.

           

    A realidade matrimonial conheceu-a no ano de 1886, casando com uma senhora fidalga, irmã do Conde de Resende, D. Maria Emília de Castro.

          

    Hoje, distinguimos três fases na evolução literária de Eça de Queirós. Prosas Bárbaras e O Mistério da Estrada de Sintra definem-no como romântico. N’Os Maias, sua obra por excelência, O Crime do Padre Amaro, O Primo Basílio, A Relíquia, entre outros, apresentam-nos o realista. Finalmente, a fase social-nacionalista, evidenciada, por exemplo, em A Cidade e as SerrasA Ilustre Casa de Ramires.

           

    A inevitável morte reservou-lhe o dia 16 de Agosto de 1900 em Neuilly, França.

           

 

    Fica a marca bem notável de um espírito aberto a novos ideais sociais, políticos, culturais e literários, sempre inconformado com o ritmo lento da evolução sociológica e politica do Portugal constitucionalista.

 

 Eça de Queirós

 

 

 

  "... atravessava a Praça Rodrigues Lobo, atraindo a atenção de quantos o viam com o seu prestígio de Sr. Administrador, a sua elegância um pouco extravagante e pretenciosa: - sobrecasaca escura, chapéu alto, "plastron" de cetim ou uma das suas 200 gravatas, colarinhos exageradamente altos, meias sarapintadas, e o exotismo do monóculo fascinante, a espretitar sobre a melena negra,..." in "Eça de Queiroz em Leiria", por Américo Tomás Pinto

 

 

 

 

 

 

 

           

    Top ten bibliográfico de Eça de Queirós:

 

 

Top ten biliográfico de Eça de Queirós, Abcissa H

 

·          Os Maias - Episódios da vida romântica (1888)

    Trata-se de um romance realista, considerado pelos críticos como a sua melhor obra. O fatalismo, a crítica social – da instituição familiar ao clero, da cidade ao mundo rural, dos políticos à intelectualidade, da aristocracia à pequena burguesia – as peripécias e os dissabores do enredo passional, são elementos presentes numa obra cuja linguagem prima pela ironia com que as personagens a as situações são descritas.

    A primeira referência a esta obra estará presente numa carta ao seu editor Chardron, em 1878. No entanto, esta obra foi publicada em livro (2 volumes) 10 anos depois, no Porto.

 

 

·          O Crime do Padre Amaro (1875, 1876, 1880)

    Nesta obra existe um profundo sentido do romance como instrumento crítico. É  o primeiro romance realista de Eça de Queirós, em que todas as personagens são a imagem do natural. É um romance anticlerical, decorrido em Leiria, que retrata a sociedade hipócrita e beata do século XIX.  

     Um padre, ingénuo e psicológicamente um fraco,  envolve-se sexualmente com uma bela jovem residente na casa onde vive. A rapariga engravida e acaba por morrer no parto, e o padre, desumano, entrega a criança a uma "tecedeira de anjos", prosseguindo com a sua carreira e com os seus pecados carnais. A leitura deste livro foi proibida pelo Estado Novo, em Portugal, e também em algumas escola do Brasil, tendo sido um dos títulos literários que maior controvérsia e incómodo provocou.

 

 

·          O Primo Basílio (1878)

 

    Esta obra constitui uma análise da família burguesa urbana no século XIX, em que um lar que aparentemente é feliz e perfeito, se revela falso e “podre”. Ao retractar a burguesia, analisando os seus defeitos ao pormenor, o propósito era que esta alterasse seu comportamento. Eça reproduz fielmente os acontecimentos, os tipos e os comportamentos humanos das personagens, numa obra onde se pode considerar haver um excesso na descrição e na adjectivação, além da ironia intensamente presente.

 

 

·          A Relíquia (1887) 

 

    Este romance realista, onde temos presente a ironia e o humor,  marca o termo de uma literatura predominantemente de observação.  Foi na sua viagem ao Egipto, em 1869 e 1870,  onde visitou o canal Suez, que se inspirou para a concretização desta obra, que pretende ser uma crítica à sociedade, à beatice e à hipocrisia.

      A sua publicação foi feita através de folhetins na Gazeta de Notícias,  no ano 1887, no Porto.

 

 

·          A Cidade e as Serras (1901)  

 

    Esta obra foi publicada postumamente, mas já tinha sido quase toda impressa à data da morte do escritor. Este romance pertence à última fase literária do escritor,  marcada pelo afastamento da ironia com que critica a sociedade,  e do realismo com que caracteriza as personagens.    O próprio título já indica sobre o enredo. Neste livro, Eça faz uma comparação entre a vida módica e agitada de Paris e a vida tranquila e pacata na cidade serrana de Tormes.

 

 

·          A Capital (1925) 

 

      A Capital é o segundo volume de uma colecção que inclui as obras de Eça de Queirós, iniciativa da Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Esta obra ficou inacabada, por Eça temer que fosse demasiado escandalosa para a sensibilidade dos seus contemporâneos. Foi em 1925, que José Maria d’Eça de Queirós, o filho de escritor, concluiu e publicou A Capital. Nesta obra, Eça faz a caricatura, de modo malicioso, da banalidade dos meios sociais e das personagens que povoam o imaginário de uma Lisboa do séc. XIX, incluindo os seus amigos mais íntimos. Caracteriza a personagem Artur Corvelo com a sua própria personalidade, o qual deixa a sua terra natal e parte para Lisboa, cheio de ilusões, mas acaba por ficar desiludido e regressa a casa e a uma vida monótona.

 

 

·          O Mandarim (1880) 

 

      O Mandarim inicia uma colecção destinada a publicar as obras de Eça de Queirós, da iniciativa da Imprensa Nacional – Casa da Moeda. Foi escrito para compensar a promessa, não cumprida, de publicar os Maias nessa data. Publicado em 11 folhetins, no Diário de Portugal, em 1880, O Mandarim transporta-nos ao Oriente, num cenário exótico e imaginário que serve de pano de fundo à história de Teodoro, que cobiça a riqueza alheia e quando a consegue faz uma viagem purificadora à China, levado pelos remorsos; mas nem assim Teodoro recuperou a paz que a ganância lhe tinha roubado. Nesta obra Eça prima pela descrição simbólica e caricatural das personagens e dos ambientes, ao mesmo tempo que aplica a exacta pitada de sátira à condição humana.

 

 

·          A Ilustre Casa de Ramires (1980)  

 

    Esta obra é um romance realista da terceira fase literária do escritor português – a fase nacional-socialista –, escrito e publicado em 1900, meses após a sua morte, quando Portugal atravessava um período de instabilidade política monárquica e sofria a humilhação do Ultimato Inglês. Estes acontecimentos influem Eça a sugerir um retorno ao colonialismo e à aristocracia como soluções para o país, numa obra em que é depositada uma maior esperança nos valores humanos e há optimismo.

     No protagonista, Gonçalo Mendes Ramires, um fidalgo arruinado, Eça procurou concentrar as qualidades e defeitos mais característicos dos portugueses.

 

 

·          O Mistério da Estrada de Sintra (1870)  

 

     Escrito em parceria com Ramalho Ortigão, O Mistério da Estrada de Sintra é publicado, diariamente, no Diário de Notícias em 1870, entre 24 de Julho e 27 de Setembro, sobre a forma de cartas anónimas. A versão em livro foi editada em 1884. 

      Este primeiro romance policial da literatura portuguesa fez muita gente crer nos factos narrados, e houve mesmo quem tivesse medo de viajar até Sintra, chegando-se a fazer investigações policiais no local. O Mistério ficou resolvido ao fim de dois meses, quando os autores se identificaram, explicando que tudo não passava de um romance.

 

 

·          Prosas Bárbaras (1903) 

 

    Este livro é uma compilação das crónicas de Eça, os seus primeiros trabalhos literários, publicadas no jornal lisboeta Gazeta de Portugal, A sua primeira publicação intitula-se Notas marginais e data de 23 de Março de 1866. A sua colaboração neste jornal é interrompida aquando da sua partida para Évora, onde fundou o semanário O Distrito de Évora, mas retoma-a no mesmo ano em Agosto de 1867, e a 22 de Dezembro publica o seu último folhetim, Memórias de uma forca, o qual deu origem a uma paródia denominada Estreia Fúnebre… de Eça.

     A arte, a literatura e a música, eram temas dominantes nestas crónicas, mas também poderiam estar presentes questões como a religião, o sinistro, a morte, o satanismo, a dualidade da imortalidade da matéria/ mortalidade da alma e a crença que a matéria guarda saudade e recorda as vidas anteriormente vividas. Notam-se, ainda, alguns indícios de crítica social.

 

 Fontes:

  • CORTEZ PINTO, Américo (1970), Eça de Queiroz em Leiria - Naturalidade Leiriense do Romancista; Páginas da vida do Munícipio leiriense, editado pela Câmara Municipal de Leiria.
  • CAMPOS MATOS, A (1988), Dicionário de Eça de Queiroz: Editorial Caminho, Lisboa;
  • REIS, Carlos (2000), Eça de Queirós: a Escrita do Mundo -  por ocasião do centenário da sua morte: Edições Inapa, Lisboa
  • BIBLIOTECA NACIONAL. Eça de Queirós. Acedido em: 11, Fevereiro, 2007. Biblioteca Nacional: http://purl.pt/93/1/ 
  • FUNDAÇAO EÇA DE QUEIRÓS. Cronologia. Acedido em: 10, Fevereiro, Fundação Eça de Queirós: http://www.feq.pt/cronologia.aspx
  • FUNDAÇÃO EÇA DE QUEIROZ. Cronologia de obras. Acedido em: 11, Fevereiro, 2007. Fundação Eça de Queiroz: http://www.feq.pt/crono_obras.aspx
  • WIKIPÉDIA. Eça de Queiroz. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Wikipédia, a Enciclopédia Livre: http://pt.wikipedia.org/wiki/E%C3%A7a_de_Queiroz
  • INFOPÉDIA, Porto editora. Os Maias. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Newsletter - Os Maias: http://www.infopedia.pt/que_newsletter.jsp?id=30 
  • TORRES, Hugo. A Relíquia – Eça de Queiroz (1887). Acedido em_ 11, Fevereiro, 2007. Rascunho.net, A Relíquia – Eça de Queiroz (1887):  http://rascunho.net/critica.asp?id=951
  • MARQUES, Ana Cláudia; GONÇALVES, Ana Cristina; FERNANDES, Maria, Literatura: Eça de Queirós. Acedido em: 11, Fevereiro, 2007. Centro de Investigação par tecnologias Interactivas. Eça de Queirós: http://www.citi.pt/cultura/literatura/romance/eca_queiroz/
  • EDITORIAL PRESENÇA. O Mandarim. Acedido em: 11, Fevereiro, 2007. Editorial Presença: http://www.editpresenca.pt/catalogo_ficha_livro.asp?livro=3470
  • EDITORIAL PRESENÇA. A Capital. Acedido em: 11, Fevereiro, 2007. Editorial Presença: http://www.editpresenca.pt/catalogo_ficha_livro.asp?livro=3471
  • COLA DA WEB. Resumos. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Cola da web – resumos: http://www.coladaweb.com/resumos.htm
  • EDITORIAL VERBO. Eça de Queirós. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Editorial verbo: http://www.editorialverbo.pt/lista_autor.asp?s=86&ctd=188
  • PASSEIWEB. Livros, O Primo Basílio, Eça de Queirós. Acedido em: 11, Fevereiro, 2007. Passeiweb.com – O Primo Basílio, Eça de Queirós: http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/analises_completas/o/o_primo_basilio
  • FNAC. Prosas Barbaras. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. A Fnac disponível 24h: http://www.fnac.pt/Images/catalogo/livros/xl/9789723816891.jpg
  • BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. O mistério da estrada de Cintra: cartas ao Diário de Notícias, Lisboa, 1894. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. O mistério da estrada de Cintra: cartas ao Diário de Notícias, Lisboa, 1894 – Biblioteca Nacional Digital: http://purl.pt/34
  • BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. A illustre casa de Ramires, Porto, 1900. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. A illustre casa de Ramires, Porto, 1900 – Biblioteca Nacional Digital: http://purl.pt/332
  • BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. O mandarim, Porto, 1880. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. O mandarim, Porto, 1880 – Biblioteca Nacional Digital: http://purl.pt/70
  • BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. A cidade e as serras, Porto, 1901. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. A cidade e as serras, Porto, 1901 – Biblioteca Nacional Digital: http://purl.pt/234
  • BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. Os Maias: episódios da vida romântica, Porto, 1888. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. Os Maias: episódios da vida romântica, Porto, 1888 – Biblioteca Nacional Digital: http://purl.pt/23  
  • BINLIOTECA NACIONAL DIGITAL. O crime do padre Amaro: scenas da vida devota, Porto, 1889. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. O crime do padre Amaro: scenas da vida devota, Porto, 1889 – Biblioteca Nacional Digital: http://purl.pt/226
  • BIBLIOTECA NACIONAL DIGITAL. O Primo Bazilio: episodio domestico, Porto, 1878. Acedido em: 10, Fevereiro, 2007. O Primo Bazilio: episodio domestico, Porto, 1878 – Biblioteca Nacional Digital: http://purl.pt/11
Sentimo-nos: Biógrafos!
Publicado por Abcissa H às 17:25
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Domingo, 11 de Fevereiro de 2007

Descobre quem somos!

     

     Conhece o nosso grupo e vem até à nossa escola!!
  
 Abcissa H
 

 

 

 


 

 

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Sentimo-nos: Artistas!
Sábado, 10 de Fevereiro de 2007

Os Abcissa H no SAPO Challenge! Como tudo começou...

 
    "Tinha acabado de fazer o teste de TIC quando o stor me entregou o folheto da nova edição do concurso SAPO Challenge 2007. Bastante entusiasmada, corri ao encontro da Estela. Já sem fôlego , tentei convence-la a participar nesta iniciativa SAPO. Dias mais tarde, finalmente o "SIM!". Começou a nossa aventura no SAPO Challenge !! 
 
    Ansiosas só pensávamos nos restantes elementos do grupo. O João, a Tânia e o Tiago aceitaram sem hesitações . Estava formado o nosso grupo! Só faltava mesmo o nome! Foi numa aula de Geometria que ocorreu ao João o nome Abcissa H (Abcissa - Geometria Descritiva; H - turma 10º H ).
 
    Somos todos da mesma turma 10º H, da área de Artes, da Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, em Leiria. Partilhamos a mesma paixão pela Arte e vemo-la como uma Beleza transcendente! Admiramos a originalidade e pessoas capazes de marcar a diferença.
 
    Decidimos embarcar nesta aventura porque temos interesse pela leitura, pela escrita e pelas novas tecnologias, e aliadas podem ser um bom meio de promover a literatura portuguesa!
 
   Nesta 2ª fase do concurso pretende-se o estudo de uma obra de um autor português consagrado. Entre muitos autores e obras propostas pelo SAPO (em parceria com o Plano Nacional de Leitura) achámos que a obra O Crime do Padre Amaro, a primeira obra realista de Eça de Queirós, era a ideal. Eça de Queirós marcou a literatura portuguesa do século XIX como romancista, contista, cronista e polemista. Como é sabido, passou por Leiria, onde foi administrador do Concelho e a acçao principal da "nossa" obra desenrola-se na "nossa" cidade.
 
    Acompanhem-nos nesta aventura pelo mundo queirosiano..."

 

 in Confidências da Débora

 
Sentimo-nos: Entusiasmados!
João Faria - Débora Lia - Tiago Santos - Tânia Fonseca - Estela Gameiro

Abcissa H

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